segunda-feira, 4 de novembro de 2013

1º Capítulo
O Bosque Nebuloso


Meu bosque sempre foi muito tranqüilo. Digo “meu” por apenas minha alma vagar por ele a maior parte do tempo. A solidão sempre me acompanhou desde que fui expulsa da legião por praticar a magia negra. Embora para mim, apenas mais estudo bem elaborado que fiz em minha vida de pesquisas na alquimia.

Eu era uma estudante de bruxaria fiel à família Wagener. Modéstia a parte, fui uma das melhores alunas da escola. Era a preferida de Leoni.


Já havia completado 16 anos quando resolvi iniciar-me no estudo terrível que causaria o meu exílio. Sempre fui obcecada pelos estudos e tudo que Leoni nos passava era rapidamente absolvido por mim. Interessei-me pela conjuração e expulsão de demônios, mas isso não foi bem aceito pelos membros da Legião.

Porem existia uma pessoa, um menino, que diziam ser melhor do que eu. Comentava-se que era surpreendentemente rápido em tudo que fazia e que estava sendo preparado para o Conselho dos Magos na qual eu já estava de olho há algum tempo. Este era neto de Leoni e se chamava Lucius Wagener.


Observava a hierarquia de perto afim de um dia fazer parte deste grupo distinto de bruxos que lideravam todas as legiões do mundo. Sempre foi minha obsessão.

Conheci Lucius quando ele ainda era uma criança. Leoni havia me convocado à mansão a fim de me propor uma missão. Quando cheguei à casa dos Wagener, logo fui escoltada por dois guardas. A velha bruxa era precavida até mesmo com os seus colaboradores. Não deixava lacunas, qualquer um poderia ser inimigo infiltrado.

Pelos corredores do jardim avistei de longe uma criança com característica delicada e face de um semblante doce, dele emanava uma energia muito poderosa. Realmente não se tratava de uma criança qualquer.  Rumores especulavam que ele possuía habilidades intrigantes. Algumas delas incluíam a capacidade de ler mente e antecipar o que ainda não aconteceu.

Lendas que pude confirmar com meus próprios olhos.

Ao passar pelas fontes não pude me conter e, para confirmar os boatos, o olhei incisivamente. Logo no primeiro pensamento de injuria focou, repentinamente, a visão em mim como se soubesse o que se passava em minha mente. Curioso essa reação dele. Algo me dizia que haveria uma historia entre essa peça fabulosa, que faria parte dos planos do Conselho, e eu.

A lenda estava em minha frente encarando-me desconfiado.

Esperei por Leoni no saguão da mansão. Eles me deixaram só por algum tempo e nesse período pude refletir sobre meus planos de estudos, pois em pouco tempo estaria entrando nos conceitos da magia negra e estava exitada com a idéia.

- Ola minha jovem - A velha Leoni descia as escadas e me cumprimentara com um aceno de mão.

- Ola Sra. Leoni - Sentei-me rapidamente, estava diante de um membro do conselho que eu almejava.

- Está preparada para a missão? – Perguntou Leoni com expressão serena.

            Leoni era uma bruxa muito poderosa. Tão temida quanto Morgana, bruxa da floresta, que também fazia parte do Conselho. Eu não sabia ao certo qual era a verdadeira intenção de Leoni, mas estava com um mau pressentimento.

 Alguns dias antes, numa taberna perto de San Dellot, rumores de que alguns membros do Conselho dariam um golpe no Ancião Mestre para tomar a cadeira se alastravam como fogo em palha. Talvez fosse isso, esses rumores me deixavam inquieta.

- Sarah, você foi escolhida por ter em si o espírito do fogo - Disse Leoni tocando em meu ombro. E continuou com a proposta.

Longo tempo se passou de conversa, tudo estava resolvido. Despedi-me de todos e parti para minha casa.

Confesso que sempre tive mania de conspiração. Poderia ser apenas mais uma dessas viagens que minha mente fazia sem sequer sair do lugar, mas o pedido de Leoni realmente era estranho. Deixava transparecer objetivos ocultos.

O sol já havia sumido e a lua brilhava na noite fria, ora se escondia atrás das neblinas.

Pensava incessantemente na proposta que Leoni me fizera naquela tarde. Estava ansiosa. E eis que o pensamento de conspirações voltara a me atordoar. Estava começando a me convencer de que realmente havia uma conspiração e por isso não cumpriria a missão como o combinado.

Isso poderia até parecer loucura, mas eu estava disposta a desafiar a família Wagener. E os motivos eram simples, minha intuição revelava algo estranho que acontecia por baixo da seda fina e sensível que eram os acordos de paz naquele momento. Bastava um deslize para uma grande guerra se iniciar.

Estava decidido.

Eu não participaria de nenhum atentado contra o Conselho, mesmo se tivesse que desafiar meus superiores.

No outro dia, convicta de que recusaria a oferta, retornei a mansão para explicar-me a Leoni. Ao ouvir os motivos que me impulsionou a recusar a proposta Leoni decidiu minha expulsão do clã. Deixou-me sem casa, comida ou roupas.

Acusaram-me de magia negra. Esse foi o critério adotado para o meu exílio. O fato de eu saber demais sobre os planos dos Wagener me tornara uma agente perigosa e isso me rendeu semanas de perseguição intensa até que encontrei o bosque nebuloso.

A partir desse dia eu fiquei conhecida como a Dama Negra que traiu seus mestres. Sem nenhum remorso do que havia feito segui os próximos dias de minha vida arquitetando formas de me vingar de todos daquela família.


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