1º Capítulo
O Bosque
Nebuloso
Meu bosque sempre foi muito
tranqüilo. Digo “meu” por apenas minha alma vagar por ele a maior parte do
tempo. A solidão sempre me acompanhou desde que fui expulsa da legião por
praticar a magia negra. Embora para mim, apenas mais estudo bem elaborado que fiz
em minha vida de pesquisas na alquimia.
Eu era uma estudante de bruxaria
fiel à família Wagener. Modéstia a parte, fui uma das melhores alunas da
escola. Era a preferida de Leoni.
Já havia completado 16 anos quando
resolvi iniciar-me no estudo terrível que causaria o meu exílio. Sempre fui
obcecada pelos estudos e tudo que Leoni nos passava era rapidamente absolvido
por mim. Interessei-me pela conjuração e expulsão de demônios, mas isso não foi
bem aceito pelos membros da Legião.
Porem existia uma pessoa, um
menino, que diziam ser melhor do que eu. Comentava-se que era surpreendentemente
rápido em tudo que fazia e que estava sendo preparado para o Conselho dos Magos na qual eu já estava
de olho há algum tempo. Este era neto de Leoni e se chamava Lucius Wagener.
Observava a hierarquia de perto
afim de um dia fazer parte deste grupo distinto de bruxos que lideravam todas
as legiões do mundo. Sempre foi minha obsessão.
Conheci Lucius quando ele ainda era uma criança. Leoni
havia me convocado à mansão a fim de me propor uma missão. Quando cheguei à
casa dos Wagener, logo fui escoltada por dois guardas. A velha bruxa era precavida
até mesmo com os seus colaboradores. Não deixava lacunas, qualquer um poderia
ser inimigo infiltrado.
Pelos corredores do jardim avistei de longe uma criança
com característica delicada e face de um semblante doce, dele emanava uma
energia muito poderosa. Realmente não se tratava de uma criança qualquer. Rumores especulavam que ele possuía habilidades
intrigantes. Algumas delas incluíam a capacidade de ler mente e antecipar o que
ainda não aconteceu.
Lendas que pude confirmar com
meus próprios olhos.
Ao passar pelas fontes não pude
me conter e, para confirmar os boatos, o olhei incisivamente. Logo no primeiro
pensamento de injuria focou, repentinamente, a visão em mim como se soubesse o
que se passava em minha mente. Curioso essa reação dele. Algo me dizia que haveria
uma historia entre essa peça fabulosa, que faria parte dos planos do Conselho,
e eu.
A lenda estava em minha frente
encarando-me desconfiado.
Esperei por Leoni no saguão da mansão.
Eles me deixaram só por algum tempo e nesse período pude refletir sobre meus
planos de estudos, pois em pouco tempo estaria entrando nos conceitos da magia
negra e estava exitada com a idéia.
- Ola minha jovem - A velha Leoni
descia as escadas e me cumprimentara com um aceno de mão.
- Ola Sra. Leoni - Sentei-me
rapidamente, estava diante de um membro do conselho que eu almejava.
- Está preparada para a missão? –
Perguntou Leoni com expressão serena.
Leoni
era uma bruxa muito poderosa. Tão temida quanto Morgana, bruxa da floresta, que
também fazia parte do Conselho. Eu não sabia ao certo qual era a verdadeira
intenção de Leoni, mas estava com um mau pressentimento.
Alguns dias antes, numa taberna perto de San
Dellot, rumores de que alguns membros do Conselho dariam um golpe no Ancião Mestre
para tomar a cadeira se alastravam como fogo em palha. Talvez fosse isso, esses
rumores me deixavam inquieta.
- Sarah, você foi escolhida por
ter em si o espírito do fogo - Disse Leoni tocando em meu ombro. E continuou
com a proposta.
Longo tempo se passou de conversa,
tudo estava resolvido. Despedi-me de todos e parti para minha casa.
Confesso que sempre tive mania de
conspiração. Poderia ser apenas mais uma dessas viagens que minha mente fazia
sem sequer sair do lugar, mas o pedido de Leoni realmente era estranho. Deixava
transparecer objetivos ocultos.
O sol já havia sumido e a lua
brilhava na noite fria, ora se escondia atrás das neblinas.
Pensava incessantemente na
proposta que Leoni me fizera naquela tarde. Estava ansiosa. E eis que o
pensamento de conspirações voltara a me atordoar. Estava começando a me
convencer de que realmente havia uma conspiração e por isso não cumpriria a
missão como o combinado.
Isso poderia até parecer loucura,
mas eu estava disposta a desafiar a família Wagener. E os motivos eram simples,
minha intuição revelava algo estranho que acontecia por baixo da seda fina e
sensível que eram os acordos de paz naquele momento. Bastava um deslize para
uma grande guerra se iniciar.
Estava decidido.
Eu não participaria de nenhum atentado
contra o Conselho, mesmo se tivesse que desafiar meus superiores.
No outro dia, convicta de que
recusaria a oferta, retornei a mansão para explicar-me a Leoni. Ao ouvir os
motivos que me impulsionou a recusar a proposta Leoni decidiu minha expulsão do
clã. Deixou-me sem casa, comida ou roupas.
Acusaram-me de magia negra. Esse
foi o critério adotado para o meu exílio. O fato de eu saber demais sobre os
planos dos Wagener me tornara uma agente perigosa e isso me rendeu semanas de
perseguição intensa até que encontrei o bosque nebuloso.
A partir desse dia eu fiquei
conhecida como a Dama Negra que traiu seus mestres. Sem nenhum remorso do que
havia feito segui os próximos dias de minha vida arquitetando formas de me
vingar de todos daquela família.
* * *
Nenhum comentário:
Postar um comentário