sábado, 14 de setembro de 2013

8º capítulo
O Vidente


O vidente pegou minha mão e me disse que poderia ler o meu futuro. Confesso que fiquei impressionado com seu desempenho.

Embora eu pudesse ver o futuro, ele ainda tinha razão, não podia ver o meu.

- Leia – disse a ele estendendo minha mão esquerda. Ele gargalhou como se eu tivesse cometido algum delito.

- Eu não leio mãos, meu jovem mago. Interpreto sonhos. Mas posso lhe assegurar que você tem um grande futuro pela frente. Digo isso por já ter interpretado o seu.
Dizendo isso ele começou a decifrá-lo.

- Quando você entra no grande salão e vê o altar, se depara com três itens posicionados no centro da mesma.

Nos lados direito e esquerdo existem três candelabros que brilham em tons de amarelo e um central, maior, que brilha mais forte e em tons de branco.

Aquilo era impressionante, nunca tinha visto alguém que conseguisse realmente adivinhar o que eu estava pensando de fato, quem diria então que pudesse compartilhar de um sonho, algo tão particular.

- Talvez seja um dom melhor que o meu – pensei enquanto ele falava.

- As velas mais fracas simbolizam seus amigos que lhe servirão no decorrer de sua vida, mas por crepitarem em tons de amarelo, digo-lhe, tenha muito cuidado com eles. Poderão te trair.

Disso eu já sabia, havia visto no futuro dos meus criados que um dia me trairiam, só não tinha visto ainda todos os detalhes.

- O candelabro maior indica que lhe aparecera uma pessoa mais forte, talvez não em poder ou dom, mas sim em amor e compaixão. Esta lhe mostrara o caminho a encontrar seu verdadeiro objetivo. Os itens que você vê em seus sonhos, a esfera com desenhos, o livro dourado sem escritas e o cálice cheio de água, indicam o seu verdadeiro desejo.  Estes, somente você poderá encontrar os significados, nem mesmo eu vejo o que de fato são. Mas digo-lhe mais uma vez que seu caminho será tortuoso e cheio de traições.

- Minha avó – pensei – não sei ao certo o que ela está tramando, mas sei que não é bom, caso contrario ela contaria. 

O homem brincou com suas catas passando-as de um lado para o outro em seus dedos longos e finos. Puxando a lateral da boca num sorriso sagas continuou.

- Meu jovem. Vejo que já encontrou o principio de seus grandes problemas.

Eu realmente estava tão impressionado com a astúcia do vidente e queria saber cada vez mais.

- Agora vamos, Lucius. Realmente está na hora de irmos para casa – disse Elga me puxando pelo braço e eu, sem reclamar, obedeci.

- Até muito próximo, Lucius e Elga. Até muito próximo! - Dizia o homem com aquele ar de mistério. Suas pernas cruzadas e aquele sorriso no rosto. Segurava com o dedo o chapéu ainda na cabeça e guardava as cartas no bolso de sua calça lentamente.

          De longe ainda podia ver a silhueta do homem que em tão pouco tempo me contara quase tudo sobre minha vida.

- Não acredito que aquele homem era um vidente! – Elga era sempre muito cautelosa. Temia os videntes por saberem alem de sua compreensão. Preferia ser surpreendida pelo futuro e não saber como seria.
Em certo ponto Elga tinha razão. Quando se olha para o futuro ele deixa de ser. Muda. E por este motivo 

Elga aprendera a não mais burlar as regras.

- Lucius, não quero que aconteça novamente – disse enquanto fazia expressão de triste.

- Não acontecerá – Abracei-a e seguimos para casa.




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