segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

4° Capítulo

Recrutados


Em pouco tempo a fama da Bruxa das Névoas se alastrou por toda a região. Diziam que seu espírito retornara e estava inquieto. Ignorantes, pensavam que a bruxa era eterna. Nada é eterno neste mundo, enquanto o tempo existir tudo esta sujeito a seu poder.

Deveria ir à cidade para comprar mantimentos. Coloquei meu vestido e peguei minha carroça.

A cidade estava agitada. San Dellot era famosa por ser palco de uma transação comercial fluente o ano todo. Havia de tudo, desde comida, cavalos até mercenários. Era possível contratar os melhores a um custo relativamente baixo.

- Mulher – Disse uma voz grossa – Ainda pretende recrutar soldados?

Era o mesmo homem que gargalhou de minha suposta insanidade.
- Ouvi seu grande feito. Ficamos maravilhados com seu poder – Todos estavam comentando sobre o retorno da Bruxa das Névoas.

A família Wagener colocara minha cabeça, ou melhor, da bruxa das Névoas, a prêmio. Em qualquer vila vizinha, neste momento eu estaria sendo caçada por Lordes, bruxos e camponeses. Mas em San Dellot as coisas eram diferentes. Lá os renegados tomavam conta, eram a maioria. Era um lugar perfeito para formar um exército.

- Sim. E qual seria o seu nome? – perguntei.

- Eu me chamo Antoni. Sou Grannin da família Piazzo – Piazzo era o sobrenome de Morgana. Bruxa tão influente e poderosa quanto Leoni.

- Atoni – Lancei os olhos para cima analisando seu nome - Preciso de soldados para executar meu plano e acabar logo com esta corja de Lordes que nos manipulam – O poderio de uma família não estava apenas na quantidade de soldados que às pertenciam, também tinha a questão do poder aquisitivo. Quanto mais ricas fossem, mais poderes e alianças estas poderiam ter. Infelizmente os Wagener eram podres de ricos.

- Sim, você está certa Bruxa das Névoas – Dizia outra voz. E logo um montante de pessoas começou a se propor soldado da Bruxa das Névoas - Um exército de Grannins – pensei.

- Um futuro cravado na linha do destino, minha senhora, é o que vejo – Um elemento conturbado entrou na conversa com frases sem nexo. Fora do contexto do que estava sendo tratado.

- E quem é o senhor? – Perguntei a ele.

- Seu destino está entrelaçado com o menino de olhos azuis – se referia a Lucius – Mas não acredito que irá matá-lo – finalizava.

- Quem é você para dizer isso? – Me exaltei com o homem que tinha uma energia sinistra e incômoda. Era de aparência esquisita. Seu queixo alongado e os olhos negros contrastavam com um nariz pontiagudo e seu bigode. Aquele chapéu, do tipo cartola, combinava com a roupa colorida que usava. Assemelhava-se a um palhaço ou Bobo-da-Corte.

- Ora Sarah, a pergunta deveria ser: Quem é você? – Como sabia meu nome? Estava usando o codenome de minha mestra.

- A sua façanha será lembrada. Guie o jovem rapaz até completar a missão e salvara a sua espécie. Olhe com atenção – O homem estranho se retirou e, com o dedo, apontou em direção ao portão da cidade. Era ele. Lucius e uma menina andavam só pela cidade de San Dellot.

Estava chocada, primeiro com o homem esquisito que sabia meu nome e meus tormentos. Depois porque Lucius estava em minha frente. Fiquei paralisada durante algum tempo tentando entender o que acontecia.

- Tenho de matá-lo agora. Aproveitar que está sozinho e indefeso.

Empurrei o senhor e, trombando em quem estava em meu caminho, andei em direção a ele. À medida que eu me aproximava meu corpo começara a se encher de energia. Minha pele ardia feito fogo e minha respiração ofegante me tomou a racionalidade. Era um predador prestes a atacar sua presa.

Já estava a uns dez metros dele quando uma charrete preta interceptou-os. Dela saíram oito soldados que os cercaram. Eram bruxos leais aos Wageners e provavelmente da primeira elite.

Parei ali mesmo. Apesar de ter as Névoas a meu favor, me sentia fraca. Não me alimentava á alguns dias.

- Quer que os enfrentemos, senhora? – Antoni estava com seu porrete em mãos e atrás dele, pelo menos cinco Grannins. Fiquei em silêncio. Apesar de serem Grannins de famílias poderosas, os bruxos que estavam ali era da primeira elite de Leoni.

O menino olhava para os guardas e dizia alguma coisa gesticulando. Percebi que repentinamente baixou a cabeça. Por debaixo da charrete era possível ver um sapado negro que se encostava ao chão. Era Leoni quem descia.

- Devemos? – Insistiu Antoni.


- Absolutamente, não – Vamos embora.

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