4° Capítulo
Recrutados
Em pouco tempo a fama
da Bruxa das Névoas se alastrou por toda a região. Diziam que seu espírito
retornara e estava inquieto. Ignorantes, pensavam que a bruxa era eterna. Nada
é eterno neste mundo, enquanto o tempo existir tudo esta sujeito a seu poder.
Deveria ir à cidade
para comprar mantimentos. Coloquei meu vestido e peguei minha carroça.
A cidade estava agitada.
San Dellot era famosa por ser palco de uma transação comercial fluente o ano
todo. Havia de tudo, desde comida, cavalos até mercenários. Era possível
contratar os melhores a um custo relativamente baixo.
- Mulher – Disse uma voz grossa – Ainda pretende
recrutar soldados?
Era o mesmo homem que
gargalhou de minha suposta insanidade.
- Ouvi seu grande feito. Ficamos maravilhados com seu
poder – Todos estavam comentando sobre o retorno da Bruxa das Névoas.
A família Wagener
colocara minha cabeça, ou melhor, da bruxa das Névoas, a prêmio. Em qualquer
vila vizinha, neste momento eu estaria sendo caçada por Lordes, bruxos e
camponeses. Mas em San Dellot as coisas eram diferentes. Lá os renegados
tomavam conta, eram a maioria. Era um lugar perfeito para formar um exército.
- Sim. E qual seria o seu nome? – perguntei.
- Eu me chamo Antoni. Sou Grannin da família Piazzo – Piazzo era o sobrenome de Morgana.
Bruxa tão influente e poderosa quanto Leoni.
- Atoni – Lancei os olhos para cima analisando seu
nome - Preciso de soldados para executar meu plano e acabar logo com esta corja
de Lordes que nos manipulam – O poderio de uma família não estava apenas na
quantidade de soldados que às pertenciam, também tinha a questão do poder
aquisitivo. Quanto mais ricas fossem, mais poderes e alianças estas poderiam ter.
Infelizmente os Wagener eram podres de ricos.
- Sim, você está certa Bruxa das Névoas – Dizia
outra voz. E logo um montante de pessoas começou a se propor soldado da Bruxa
das Névoas - Um exército de Grannins – pensei.
- Um futuro cravado na linha do destino, minha
senhora, é o que vejo – Um elemento conturbado entrou na conversa com frases
sem nexo. Fora do contexto do que estava sendo tratado.
- E quem é o senhor? – Perguntei a ele.
- Seu destino está entrelaçado com o menino de olhos
azuis – se referia a Lucius – Mas não acredito que irá matá-lo – finalizava.
- Quem é você para dizer isso? – Me exaltei com o
homem que tinha uma energia sinistra e incômoda. Era de aparência esquisita.
Seu queixo alongado e os olhos negros contrastavam com um nariz pontiagudo e
seu bigode. Aquele chapéu, do tipo cartola, combinava com a roupa colorida que
usava. Assemelhava-se a um palhaço ou Bobo-da-Corte.
- Ora Sarah, a pergunta deveria ser: Quem é você? –
Como sabia meu nome? Estava usando o codenome de minha mestra.
- A sua façanha será lembrada. Guie o jovem rapaz até
completar a missão e salvara a sua espécie. Olhe com atenção – O homem estranho
se retirou e, com o dedo, apontou em direção ao portão da cidade. Era ele.
Lucius e uma menina andavam só pela cidade de San Dellot.
Estava chocada,
primeiro com o homem esquisito que sabia meu nome e meus tormentos. Depois
porque Lucius estava em minha frente. Fiquei paralisada durante algum tempo
tentando entender o que acontecia.
- Tenho de matá-lo agora. Aproveitar que está sozinho
e indefeso.
Empurrei o senhor e,
trombando em quem estava em meu caminho, andei em direção a ele. À medida que
eu me aproximava meu corpo começara a se encher de energia. Minha pele ardia
feito fogo e minha respiração ofegante me tomou a racionalidade. Era um
predador prestes a atacar sua presa.
Já estava a uns dez
metros dele quando uma charrete preta interceptou-os. Dela saíram oito soldados
que os cercaram. Eram bruxos leais aos Wageners e provavelmente da primeira
elite.
Parei ali mesmo. Apesar
de ter as Névoas a meu favor, me sentia fraca. Não me alimentava á alguns dias.
- Quer que os enfrentemos, senhora? – Antoni estava
com seu porrete em mãos e atrás dele, pelo menos cinco Grannins. Fiquei em
silêncio. Apesar de serem Grannins de famílias poderosas, os bruxos que estavam
ali era da primeira elite de Leoni.
O menino olhava para os
guardas e dizia alguma coisa gesticulando. Percebi que repentinamente baixou a
cabeça. Por debaixo da charrete era possível ver um sapado negro que se
encostava ao chão. Era Leoni quem descia.
- Devemos? – Insistiu Antoni.
- Absolutamente, não – Vamos embora.
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