4º capitulo
O Plano
Três anos se passaram após
o alvorecer de minha magia, o dia de minha iniciação. Muitas coisas mudaram
depois disso. Eu havia entrado num treinamento intenso com Leoni que passou a
ser minha tutora. Estudei os três tipos de magias mais comuns aos bruxos.
Branca, Negra e Elemental. Cada qual com seus atributos específicos. Outrora
explicarei seus fundamentos.
Numa manhã de Sábado, acordei
circundado de iguarias em nossa mansão. Os anos haviam se seguido, mas as
lembranças das palavras da Matriz ainda ecoavam em minha mente.
Homem sério, de poucas
palavras e semblante mórbido. Seria eu mesmo numa versão pura. Como, se
tínhamos personalidades tão distintas?
Lembrava-me do sonho, muito real, que me ocorreu
durante o Efatar. Jamais esqueceria aquelas imagens. Os candelabros, o livro,
as relíquias. O que significava tudo aquilo? Eu ainda não havia compreendido
mesmo depois de tanto tempo, mas estava disposto a saber.
Realizei muitos
prodígios com meu espírito, era um Bruxo natural. Minhas habilidades apareceram
no decorrer dos anos de treinamento e estudos acerca da magia. Com facilidade
executava invocações de espíritos, manipulava as energias e fazia diversas
outras coisas, difícil para uma criança, o que acabou conferindo a mim a imagem
de um fenômeno mágico em nossa
Legião. Mas tinha uma coisa que minhas habilidades não me permitiam. Eu não era
um bom interprete. E talvez nunca o fosse.
Eu tinha a minha
disposição, já com dez anos, o dom da visão e da leitura energética. Mas ainda
não sabia interpretar sonhos. E esses, às vezes, me tiravam o sono. Algo me
dizia que eram importantes.
Depois daquele dia a Matriz
nunca mais se revelara para mim, não por falta de tentativas, todas fracassadas.
Nesse dia, desci as
escadas da mansão em direção ao jardim, passei pelo saguão da casa, parei,
olhei as belezas entalhadas em madeira e pedra que havia por todos os cantos.
- Minha família é rica e desperdiça com coisas
tolas. Resmunguei.
Direcionei-me até a
porta principal, que deveria ter a medida de três metros de altura. Descomunal.
Minha avó sempre foi precavida e deixava guardas para todos os lados. Sempre
tinha um que me seguia o tempo todo.
- Bom dia Juan - Disse ao meu guarda costas.
- Bom dia Lucius. O que vamos fazer hoje jovem
mestre?
- Odeio quando me chama assim, sabia?
- É por isso que falo - Disse-me dando gostosas
risadas.
- Juan. Sabe onde posso achar uma quiromante?
- Sua avó sabe que pretende aprender previsões de
futuro?
- Não é para isso. Estou tendo o mesmo sonho desde
que tinha sete anos. Acho que significa alguma coisa.
- Já perguntou para sua avó? Ela é uma das melhores
quiromantes de toda a França.
- Já, mas ela disse que não tem importância.
- Então não deve ter importância mesmo, Lucius -
Finalizou Juan com ar doce e compreensivo.
- Eu conheço uma ótima, Lucius - Disse uma voz
feminina mais distante. Era Elga Banglynneet, minha melhor amiga.
- O que esta fazendo aqui, mocinha? - Perguntou
Juan.
- Pode nos deixar a sós por um instante, Juan?
Preciso contar a ela algumas coisas - Disse a ele. Embora as ordens emitidas de
minha Avó fossem claras, a de nunca me deixar sozinho, Juan sempre me dava
espaço.
- Esta bem. Mas não vão aprontar, hein? Se algo lhe
acontecer, sua Avó certamente me matará.
Juan era um bom homem e demonstrava isso de forma
caridosa. Tratava-me como se fosse seu filho.
- Sabe mesmo de uma quiromante? - Perguntei a Elga
num sussurro, pegando-a pelo braço.
- É claro que sim, no contrário não lhe diria nada -
Respondeu.
- Mas teremos que sair mais uma vez às escondidas. É
no trecho central da cidade. Tem uma barraca lá. Minha mãe sempre visita ela.
São muito amigas.
- Certo. Quando podemos?
- Meus pais vieram aqui hoje convocados por Leoni,
devem sair a qualquer momento. Podemos ir amanhã - Estava determinada.
- E como faremos isso? Tenho um guarda costas – Disse apontando para
Juan que andava distraído pelo jardim.
- Deixa comigo. Disse sorridente - Quando se tratava
de traquinagens Elga Banglynneet era perita no assunto.
- Elga, venha - Chamou a mãe que já estava na porta
principal da mansão. Deveriam estar na biblioteca.
- Até amanhã, Lucius - Disse Elga correndo e
rodopiando seu longo vestido rosa em saltos marotos.
- Até amanhã, Elga.

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