sábado, 3 de agosto de 2013


4º capitulo
O Plano

Três anos se passaram após o alvorecer de minha magia, o dia de minha iniciação. Muitas coisas mudaram depois disso. Eu havia entrado num treinamento intenso com Leoni que passou a ser minha tutora. Estudei os três tipos de magias mais comuns aos bruxos. Branca, Negra e Elemental. Cada qual com seus atributos específicos. Outrora explicarei seus fundamentos.

Numa manhã de Sábado, acordei circundado de iguarias em nossa mansão. Os anos haviam se seguido, mas as lembranças das palavras da Matriz ainda ecoavam em minha mente.

Homem sério, de poucas palavras e semblante mórbido. Seria eu mesmo numa versão pura. Como, se tínhamos personalidades tão distintas?

 Lembrava-me do sonho, muito real, que me ocorreu durante o Efatar. Jamais esqueceria aquelas imagens. Os candelabros, o livro, as relíquias. O que significava tudo aquilo? Eu ainda não havia compreendido mesmo depois de tanto tempo, mas estava disposto a saber.

Realizei muitos prodígios com meu espírito, era um Bruxo natural. Minhas habilidades apareceram no decorrer dos anos de treinamento e estudos acerca da magia. Com facilidade executava invocações de espíritos, manipulava as energias e fazia diversas outras coisas, difícil para uma criança, o que acabou conferindo a mim a imagem de um fenômeno mágico em nossa Legião. Mas tinha uma coisa que minhas habilidades não me permitiam. Eu não era um bom interprete. E talvez nunca o fosse.

Eu tinha a minha disposição, já com dez anos, o dom da visão e da leitura energética. Mas ainda não sabia interpretar sonhos. E esses, às vezes, me tiravam o sono. Algo me dizia que eram importantes.

Depois daquele dia a Matriz nunca mais se revelara para mim, não por falta de tentativas, todas fracassadas.

Nesse dia, desci as escadas da mansão em direção ao jardim, passei pelo saguão da casa, parei, olhei as belezas entalhadas em madeira e pedra que havia por todos os cantos.

- Minha família é rica e desperdiça com coisas tolas. Resmunguei.

Direcionei-me até a porta principal, que deveria ter a medida de três metros de altura. Descomunal. Minha avó sempre foi precavida e deixava guardas para todos os lados. Sempre tinha um que me seguia o tempo todo.

- Bom dia Juan - Disse ao meu guarda costas.

- Bom dia Lucius. O que vamos fazer hoje jovem mestre?

- Odeio quando me chama assim, sabia?

- É por isso que falo - Disse-me dando gostosas risadas.

- Juan. Sabe onde posso achar uma quiromante?

- Sua avó sabe que pretende aprender previsões de futuro?

- Não é para isso. Estou tendo o mesmo sonho desde que tinha sete anos. Acho que significa alguma coisa.

- Já perguntou para sua avó? Ela é uma das melhores quiromantes de toda a França.

- Já, mas ela disse que não tem importância.

- Então não deve ter importância mesmo, Lucius - Finalizou Juan com ar doce e compreensivo.

- Eu conheço uma ótima, Lucius - Disse uma voz feminina mais distante. Era Elga Banglynneet, minha melhor amiga.

- O que esta fazendo aqui, mocinha? - Perguntou Juan.

- Pode nos deixar a sós por um instante, Juan? Preciso contar a ela algumas coisas - Disse a ele. Embora as ordens emitidas de minha Avó fossem claras, a de nunca me deixar sozinho, Juan sempre me dava espaço.

- Esta bem. Mas não vão aprontar, hein? Se algo lhe acontecer, sua Avó certamente me matará.

Juan era um bom homem e demonstrava isso de forma caridosa. Tratava-me como se fosse seu filho.

- Sabe mesmo de uma quiromante? - Perguntei a Elga num sussurro, pegando-a pelo braço.

- É claro que sim, no contrário não lhe diria nada - Respondeu.

- Mas teremos que sair mais uma vez às escondidas. É no trecho central da cidade. Tem uma barraca lá. Minha mãe sempre visita ela. São muito amigas.

- Certo. Quando podemos?

- Meus pais vieram aqui hoje convocados por Leoni, devem sair a qualquer momento. Podemos ir amanhã - Estava determinada.

- E como faremos isso?  Tenho um guarda costas – Disse apontando para Juan que andava distraído pelo jardim.

- Deixa comigo. Disse sorridente - Quando se tratava de traquinagens Elga Banglynneet era perita no assunto.

- Elga, venha - Chamou a mãe que já estava na porta principal da mansão. Deveriam estar na biblioteca.

- Até amanhã, Lucius - Disse Elga correndo e rodopiando seu longo vestido rosa em saltos marotos.


- Até amanhã, Elga. 



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