3º capítulo
A Essência
O horizonte parecia não
ter fim. Era frio e esfumaçado como em noites de neblina. Tudo era escuro, sinistro.
Calafrios me estremecia a espinha. Eu andava e nunca encontrava nada, era uma
região que eu ainda não havia explorado. Mais parecia um sonho.
- O que é isso, onde
estou? - Era o que eu mais me perguntava. Eu estava numa outra dimensão muito
parecida com um sonho, aliás, era um sonho. Um outro mundo encontrado num sonho
que era diferente. O Efatar poderia acontecer de duas maneiras, de forma consciente
ou inconsciente.
O mais comum dos Efatares
era o inconsciente. Era possível conversar com espíritos, prever o futuro, ler
cartas e diversas outras funções mágicas com este tipo. O que acontecia era que
o espírito humano residente daquele corpo transladava as dimensões entrando em
contato com outros superiores ou inferiores. Este, por sua vez, ajudava, ou não,
esses bruxos a alcançarem seus objetivos, se fossem devidamente ordenados. Essa
forma de Efatar se assemelhava as conhecidas invocações espirituais, com a
diferença de que o espírito assumia o corpo do usuário. Conhecido pela Igreja
como possessão.
O segundo tipo, pouco
comum, mas ainda bem popular era o que constituía minha Legião. São os que
conseguem manipular a energia em plena consciência. Ele molda a energia sem interferências
ou ajudas externas. O tipo de bruxo que minha Avó queria.
Naquele lugar eu me
sentia sozinho e as piores recordações me vinham à mente. Uma agonia inexplicável
tomava conta do meu espírito drenando minhas forças e me consumindo lentamente.
Foi quando vi em minha frente, como que numa ilusão, aparecer do nada um
templo. Sem duvidas era uma ilusão. Era tão real, mesmo para um sonho, que por
alguns instantes comecei a duvidar que estivesse sonhando. Eu sentia frio, dor,
sede e tudo mais. Ambiente propício para uma prisão eterna.
Minha curiosidade
aguçada apontava como a agulha de uma bússola para dentro do templo e, sem sombras
de duvidas, eu entraria para saciá-la. Havia um imenso salão dentro do templo que assemelhava- se aquelas antigas igrejas.
No fundo pude notar um
altar que tinha em cada lado três candelabros pequenos com velas acesas de fogo amarelo.
- Guarde todas as referências
que puder Lucius – dizia a minha Avó sempre que se referia aos Outros Planos – pois podem ser
importantes e dignas de interpretação – era o que eu estava fazendo.
Notei que no meio havia um candelabro maior que tinha uma vela
grande que queimava mais forte e
que me chamava atenção, provocando um êxtase. Segui a luz até chegar ao altar e
nele havia três objetos que reluzia
feito ouro. Do lado direito, uma esfera pequena e dourada com
desenhos e símbolos semelhantes a impressões digitais. Do outro lado um cálice repleto de água
cristalina e no centro, o que mais me chamou a atenção, um livro de capa
dourada.
Aproximei-me do livro que se
abriu para mim, talvez porque quisesse ser lido e, curioso, comecei a folheá-lo. De fato, me surpreendi quando notei que não havia nada
escrito,
eram apenas folhas em branco. Não entendi o que acontecia, o livro se abria
para mim, mas não queria ser lido.
Resolvi tocar. É da natureza humana querer tatear tudo. Suas páginas
eram grossas e lisas. Novamente voltei minha atenção a esfera e a toquei.
Quente, era o tato que ela apresentava. Imediatamente seus desenhos se
modificaram assumindo outra impressão.
Um forte estrondo
ocorreu e as luzes se apagaram. Na escuridão uma explosão luminosa. Vi uma
silhueta de homem caminhando em minha direção.
- Quem é você? -
Perguntei a ele com receio, pois havia ali uma enorme quantidade de energia.
Um dia estive junto à
luz, vivi no mar da imensidão e cavalguei nas auroras. Mas isso não importa jovem
Lucius. Eu sou você, sua essência. Mas pode me chamar de Matriz.
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